terça-feira, 2 de outubro de 2012

Abandono de animais doentes preocupa APA de Barra Mansa (RJ)

Foto: Gabriel Borges
A APA (Associação Protetora dos Animais) de Barra Mansa, que trabalha há 10 anos no recolhimento e manutenção de cães abandonados na cidade, está passando por problemas na realização de seus trabalhos.
A presidente da APA, Henia de Vasconcelos, contou que muitas pessoas abandonam animais no entorno do abrigo, sem avisar os responsáveis ou fornecer informações sobre os cães.
- Todos os dias encontramos animais que foram deixados aqui. São cerca de 50 animais por mês. A maioria é filhote, sem imunidade, com propensão a pegar doenças e que acabam morrendo antes mesmo de serem encontrados. Em vez de largarem aqui, poderiam deixar no fim de semana na feirinha que fazemos. Deveriam nos informar o estado dos animais para sabermos o tratamento que deveríamos dar. Eles querem ir pelo caminho mais fácil para eles, prejudicam os bichos e atrapalham o nosso trabalho. Hoje mesmo encontramos três filhotes no terreno baldio aqui do lado e não sabemos o que fazer com eles, porque a maioria dos nossos cães está com cinomose ou com sequelas da doença. O risco de eles serem infectados é enorme. Mas não tem outro lugar para leva-los. – explicou Henia.
De acordo com a ela, a vacina para a doença é muito cara e são necessárias duas doses. Ela contou que, há alguns meses, vacinaram todos os animais, mas, na mesma semana, receberam mais 30 cães infectados.
Cinomose
A cinomose é uma doença transmitida por um vírus, que degenera os tecidos do corpo do animal e também seus neurônios. Ela afeta a todos os cães e é raro que haja algum que não tenha sido exposto ao vírus, exceto no caso de cães que vivem isolados. Junto com ela, geralmente aparecem infecções causadas por bactérias.
Foto: Gabriel Borges
Abrigo com 100 animais
A ONG está atualmente com cerca de 100 animais em seu abrigo, em sua maioria, cães com sequelas de agressões, atropelamentos e doenças.
- Esses cães não nascem nas ruas. Eles geralmente têm dono, são agredidos, ficam doentes e são abandonados. O que defendemos não é que a pessoa é obrigada a ficar com o cão, quando não pode mais, mas precisa encontrar um novo tutor, e não largar na rua a mercê da sorte. – defendeu Henia, acrescentou – Nós tentamos tratar, mas as doenças são muitas.
Muitos dos animais já foram encontrados mutilados ou necessitaram de cirurgia de amputação das patas. Como é o caso do vira-lata Kronos, que necessitou amputar uma das patas após ser atropelado por duas vezes consecutivas. Há também cães que foram apreendidos em canis que recolhem animais para serem sacrificados e usados para estudos.
A APA de Barra Mansa conta com dois veterinários fixos e três informais, que se revezam no atendimento aos cães. A associação pede doações de materiais de limpeza, luvas, materiais para curativos e medicações caninas. Segundo eles, a doação de ração não é viável, pois eles costumam seguir um padrão de alimentação para não causar problemas alimentares nos animais.
A associação informou ainda que irá realizar, no dia 20 de Outubro, uma feira de doação apenas de cães adultos, no Jardim da Preguiça, no Centro da cidade.
- Nossas condições são precárias, mas o lugar deles é aqui, aonde eles têm água, comida e um teto, até serem adotados. É melhor estarem aqui do que na rua. Precisamos de muita ajuda, mas o mais importante é a conscientização das pessoas. Não se abandona um filho, assim como não se deve abandonar a esmo um cachorro. – concluiu a presidente.
Foto: Gabriel Borges
Fonte: Diário do Vale

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